INSPIRAÇÕES #03 | Rede Social ou Rede Comercial?

 


Quando o Orkut viralizou, 

parecia que a grande competição era descobrir quem tinha mais “amigos” adicionados ao perfil.

Quanto maior a lista, mais popular você parecia ser.

Hoje, a competição mudou de aparência, mas talvez não tenha mudado tanto assim.

Agora disputamos seguidores, curtidas, visualizações, comentários, alcance… e, quando podemos pagar por alguns números, até esses números podem ser comprados.

Enquanto isso, somos bombardeadas diariamente por promessas de sucesso rápido, dinheiro fácil, liberdade financeira, milhões de seguidores e uma vida aparentemente perfeita.

Mas nada vem fácil assim.

Por trás de muitas dessas imagens existe uma realidade que não aparece na tela.

Existe trabalho que não é mostrado.

Existem tentativas que deram errado.

Existem frustrações, inseguranças, dias difíceis e histórias que nunca entram no roteiro.

Mesmo assim, continuamos olhando.

Às vezes sabemos que aquilo parece bom demais para ser verdade.

E ainda assim queremos acreditar.

Porque talvez, no fundo, não estejamos procurando apenas dinheiro ou sucesso.

Talvez estejamos procurando uma prova de que também é possível.

Que ainda existe um caminho para nós.

Que podemos criar alguma coisa nossa e ser reconhecidas por ela.

Que aquilo que fazemos com nossas próprias mãos pode ter importância.

E é justamente aí que eu acredito que precisamos parar um pouco.

Parar de correr atrás de números.

Parar de comparar nosso começo com o palco de quem já construiu uma história.

Parar de acreditar que precisamos parecer bem-sucedidas o tempo inteiro para merecer estar aqui.

Porque existe uma diferença enorme entre ser vista e ser reconhecida.

Ser vista pode depender de um algoritmo.

Ser reconhecida nasce daquilo que você constrói.

Daquilo que você pensa.

Daquilo que você cria.

Daquilo que ninguém faria exatamente como você.

Mas este espaço não precisa ser apenas para quem cria.

Ele também pode ser para quem aprecia a arte, gosta de artesanato, se encanta por determinados universos, coleciona peças especiais ou simplesmente sente prazer em estar perto de tudo isso.

Você não precisa ser artesã para pertencer.

Talvez você nunca tenha pegado um pincel, dobrado um papel ou construído uma peça.

Talvez você simplesmente veja uma criação e pense:

“Eu queria ter isso comigo.”

Talvez você goste da atmosfera, das histórias, dos detalhes, da beleza de algo feito à mão.

Talvez você procure justamente aquilo que não encontra em qualquer loja.

Tudo isso também faz parte deste espaço.

Eu quero que ele seja um lugar de encontro entre quem cria e quem valoriza o que é criado.

Um lugar onde a artesã possa mostrar seu trabalho sem precisar transformar tudo em uma disputa por preço.

E onde quem aprecia possa encontrar algo especial sem sentir que precisa pertencer a uma determinada “categoria” para estar aqui.

Porque existe uma diferença entre comprar uma coisa e se identificar com aquilo que ela representa.

Eu acredito que ainda podemos construir espaços mais honestos na internet.

Lugares onde não precisamos fingir que tudo é fácil.

Onde podemos falar sobre criação sem vender fórmulas mágicas.

Onde podemos aprender sem precisar reproduzir o que todo mundo já fez.

Onde uma artesã pode olhar para uma referência e, em vez de perguntar:

“Como faço igual?”

possa começar a perguntar:

“O que eu posso criar a partir disso?”

E onde quem aprecia uma criação possa simplesmente dizer:

“Isso tem a ver comigo.”

É esse tipo de espaço que eu quero construir.

Um lugar para quem gosta de criar.

Para quem acredita que seu trabalho pode ter identidade.

Para quem quer aprender, experimentar, errar, tentar de novo e descobrir o próprio caminho.

E também para quem simplesmente gosta de estar perto de tudo isso.

Sem promessas de enriquecimento rápido.

Sem números comprados.

Sem a necessidade de parecer aquilo que você não é.

Apenas criação, aprendizado, troca, descoberta e verdade.

Porque talvez a internet ainda possa ser um lugar de encontro.

Não uma rede comercial disfarçada de rede social.

Mas uma rede de pessoas que compartilham aquilo que sabem, aquilo que criam, aquilo que admiram e aquilo que acreditam.

E talvez seja possível construir, juntas, um pequeno lugar seguro no meio de todo esse barulho.

Um lugar onde a artesã possa criar.

Onde a admiradora possa descobrir.

Onde ambas possam trocar experiências, referências, histórias e inspiração.

Um lugar onde você não precisa fingir para pertencer.

Aqui, você pode simplesmente criar.

Ou simplesmente apreciar.

Você é bem-vinda das duas formas.


Bjus!

Lanna